segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dias esquecidos

O que eu tenho duvidado, o que eu tenho pensado nesses ultimos dias é sobre o real sentimento. Sobre a realidade, estranha realidade que me surpreende cada dia mais. Eu penso em dias passados que me remetia alguns sentimentos estranhos, não sei se bons ou ruins, apenas... sentimentos. Tenho os esquecido com relativa facilidade, mas essa noite eu sonhei com algo, e de uma maneira incrível, eu senti novamente coisas que fazia muito eu não sentia, não sei se pelo sentimento ou pela falta de costume, eu me senti mal, incomodado.
Sentimento que me remeteu à pensamentos, como o quanto a gente muda em tão pouco tempo, como a gente deixa de ser quem era com tanta facilidade, uns ainda mais que outros. Como quem muda de ideia muito rapido, e no meio desse texto minha vontade já é de escrever sobre outra coisa, as ideias vão indo, vão preenchendo a tela e deixando minha cabeça vazia, já se enchendo novamente com outras ideias que nada tem a ver com as anteriores. Como serei daqui algum tempo? Me responda daí, Lucas do futuro, com que eu me pareço? Em um ano eu escrevo outro texto, pra completar esse aqui, e lembrarei de dias confusos que talvez ainda eu nao tenha-os deixado, mas lembrarei desses, dessas dúvidas de hoje, lembrarei desse reggae e dessa dor de cabeça filha-duma-pu** que não me deixa nem a pau, lembrarei desse monte de trabalhos que eu tenho pra fazer, coisas pra estudar, e uma preguiça proporcional.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

My G-g-g-g-ge-neration

Minha geração é essa coisa tosca, disforme e com informação demais para se unir em torno de alguma coisa. Nenhum de nós se esforça para ser lembrado de nenhuma forma, apenas continuamos seguindo o fluxo e nos adaptando a tudo que está ao nosso redor. Nada de revoltas, de gritos noturnos e de música barulhenta depois da meia-noite. Não posso tocar meu violão na rua mais tarde, incomoda os vizinhos. Eu toco.
Nada que os faça ser pelo que são, e sim pelo que podem ser. Pelo que ouvem dá pra entender o que buscam.
Toda a geração, não faz nada pelo medo de errar, e não erra mesmo. O problema é esse, estamos tensos, com medo, e quando saímos da linha é com excesso de adrenalina, quase uma overdose natural. Essa minha geração que não olha pro próximo nem pra procurar briga e estou ficando entediado...
Cadê os loucos? Ficaram apenas os depressivos. Cadê os compositores? Ficaram apenas os músicos. E para onde foram os revoltados? Me deixaram aqui com todos esses conformados... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton...
Somos apenas mercenários, todos vendidos para a atitude moderna.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Não tem como amar
e ainda ser feliz,
não tem como voar
e se importar com o que se diz.
Não tem como dormir
já querendo acordar
e não dá pra ir embora
se acabo de chegar.
Não tem como ser livre
se eu me amarro em você,
não tem como ser livre
se eu não puder escrever.
O baque surdo me acorda,
a corda suja balança
e a criança discorda
da minha falta de esperança.

E o que eu vejo são olhares
que há muito estão distantes
e que ainda são milhares
a me olhar a todo instante
de inveja e de cobiça
que atiça o prazer
pra fazer com que eu insista
e não pense ao dizer.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Portas invisíveis

O vento bate contra as paredes do castelo. Eu ouço o gemido lamentoso e musical do Ultimo Romântico na torre norte. O vento sopra sua música sofrida até meus ouvidos que, insensíveis, apenas a contemplam como arte que é.

Descrevo um arco com a lâmina da espada. Ela é muito leve, e amolada o suficiente para decepar uma cabeça. Sua lâmina reflete meus olhos negros e secos, fixos em algum ponto que nem eu mesmo sei descrever. Lá fora neva mas mesmo assim eu saio para um passeio. A brisa cortante continua a me trazer versos e poesias melancólicas. Eu sorrio. Ele diria ser um riso doente, mas eu enquadro aquela expressão facial como meu sorriso mesmo, gesto cotidiano e simples.

No bosque nos fundos do castelo eu começo a pegar lenha, alguma lenha seca que eu possa acender. É muito difícil, visto que a neve umedece-as. Volto para dentro quase sem nada nas mãos, mas o suficiente para por fogo na lareira e aquecer-me. O vinho está delicioso e tenho uma garrafa cheia do meu lado. Alguém bate à porta e eu me recuso a estragar tal momento sublime com a companhia de qualquer pessoa. As batidas na porta e o som das melodias lá encima não me incomodam mais. É tudo tão feliz, tão onírico! Eu me vejo refletido em uma armadura ao lado da lareira. Eu não pareço doente, na verdade eu nunca estive tão bem.

Batidas na porta. Passa pela minha cabeça atender. Não. Eu acabo de me lembrar que me prometi vinte e três minutos atrás que não voltaria atrás nunca mais numa decisão tomada. E a decisão já estava tomada. Subi as escadas com a espada embainhada, e cada degrau aumentava a melodia e meu medo.

Abri a porta: um espelho. Era eu ali dentro que me olhava, a diferença, a unica diferença, é que em vez de uma espada ele tinha em mãos um papel, manchado de sangue e de lágrimas. Fiquei imóvel por algum tempo, olhando para o batente da porta e com medo de esbarrar em o que quer que fosse que estivesse refletindo-me. Atravessei a porta, não esbarrei em nada. Ele apenas olhava para mim com seus olhos lacrimejantes e cheios de não-sei-exatamente-o-que. Joguei a espada para a direita e depois tracei um arco com ela, e a cabeça dele estava no meio da trajetória.

Seu corpo caiu para frente me sujando de sangue, mas o papel não caiu de sua mão. Tirei-o de lá, e li o poema de amor mais apaixonado que já vira.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ainda hoje olhei para o céu e - até que enfim - consegui encontrar a constelação de escorpião, ela que teimava em se esconder de mim. Por muitas vezes eu consegui encontrar Antares, a estrela mais brilhante deste aracnídeo, entretanto as luzes da cidade ofuscam os outros astros.

As luzes da cidade ofuscam muitas coisas, a poesia por exemplo. A luminosidade e o entretenimento urbano nos extirpam a sensibilidade, a percepção, e ainda por cima atrofiam nossos outros sentidos, já que ficamos fissurados em ver, nos esquecemos de fechar os olhos e sentir os aromas, por exemplo.
Eu fico meio atordoado, de tanto pensar, de tanto ter que produzir críticas e juízos de valor todos os dias - e sobre tudo. Isso que nos é exigido, pen(s)ar. A era da racionalidade. Pra falar a verdade os seres humanos nunca foram de sentir mesmo, as luzes da cidade existem desde sempre.

Mais uma lenda sobre o Rock'n'Roll

Um garoto e sua guitarra.
Podia um garoto ser recriminado por tentar ser o melhor? Podia um garoto!
Um garoto que vendeu sua alma por amor à sua música.

Ele estava deitado, com o violão escorado na barriga, puxando pequenas rimas e alguns riffs. Nada de mais, apenas fluia. Suas canções não falavam só de amor, nem de odio, muito pelo contrario, elas falavam de idéias, flutuantes. As idéias flutuam, e estão sempre flutuando, aquele que pensa que pode prender uma idéia no papel está 'redondamente enganado' (que expressão horrível), e por estarem flutuantes, as idéias só podem ser demonstradas no papel se forem pegas como realmente estão: Bagunçadas. Alguns escrevem histórias, de amores, criticas, mas suas músicas não são mais de idéias, são de coisas que foram copiadas, como as criticas, ou de coisas que foram vividas por alguem, como historias.
Esse garoto que cantava idéias era diferente, um verdadeiro decendente da espécie dos Hetero sapiens, era o único que escrevia seu caminho, vivia como bem entendesse.
Ele já tinha lido alguns filósofos, mas achava que era idiota tentar pensar com a cabeça dos outros, tentar pegar atalhos para o conhecimento, lia apenas livros para entretenimento, não assistia televisão, sequer estudava. Sua vida era a música.
Mas não era um dos melhores no que fazia, talvez porque lhe faltassem dedos na mão esquerda, motivo pelo qual teve que aprender a ser ambidestro, e os dedos que lhe restavam na mao esquerda eram para segurar a palheta.
Alguns riam de sua inútil empreitada pelo mundo do rock, ele não se abalava, mas queria a qualquer custo ser o melhor guitarrista do mundo.
Eis que surge sua resposta. Uma proposta: Sua alma em troco da habilidade.
A resposta estava na ponta da lingua há muito tempo: Sim!
Esperou quatro horas e quarenta e tres minutos embaixo de um outdoor do Mc'Donalds, como odiava muito tudo aquilo. Era na saída da cidade.
Um homem vinha pela estrada, montando uma Harley-Davidson, vestia uma jaqueta preta sobre o tronco nu, e uma calça jeans muito debotada, suas botas pretas pareciam ter milhares de anos de uso, e seus óculos espelhados faziam aquele estilo ainda mais clichê, se não fosse o fato dele se vestir como se fosse o inventor dessa moda. Quando chegou ao lado do 'aspirante à lenda', tirou o cigarro da boca e deu uma cusparada. 'Trouxe sua guitarra?' a resposta foi seguida do gesto, 'sim'. O homem pegou a guitarra, olhou de um lado, do outro, e devolveu a guitarra, com uma palheta, 'Cortesia da casa'.
O garoto retornou pra casa, e tocou a noite inteira. Seus vizinhos alternavam entre o odio pelo som que os atrapalhava dormir e o amor pelo compasso perfeito daquelas notas.
Até sua voz estava melhor. Chamou Rick, velho amigo, baterista, e também Sue, a melhor baixista que já tinha conhecido, quando começou a tocar com eles, simplesmente não acreditaram no que ouviam,e viram que o grupo fora feito para as paradas de sucesso.
Em duas semanas já abririam o show mais importante da cidade, um show que iria ficar pra historia, pois quando Tom começou a tocar todos só queriam ouvi-lo, The Devil's Finger estourou no primeiro show importante de suas vidas, a banda principal esperava para tocar, mas o público nao queria deixá-los ir, e quando finalmente saíram, todos foram embora com eles. O noticiário não falava de outra coisa, era a melhor banda de todos os tempos, Tom tinha conseguido.

O tempo passou, o sucesso já lhe era comum, mas não deixava de amar o rock. Suas músicas tinham a intensidade necessária, o Tom exato. Já eram 10 anos tocando juntos, e o sucesso só crescia. Suas músicas faziam aquele frio subir a espinha de quem quer que ouvisse, sua performance criara um novo estilo de viver. Vivia seu sonho, até o dia que aqueles olhos vermelhos chegaram. Os velhos olhos vermelhos.
Viera cobrar sua divida, viera colher sua alma.

'Você não fará isso'
'Por quê não faria?' Disse o homem das botas velhas-
'Por que eu não quero'
'Não esta se achando muito presunçoso?' - Ria-se o homem - 'Não acha ser uma situação reversivel, acha?'
'Na verdade acho... Eu não fiz nada que fugisse à minha natureza, não havia outro caminho, não posso ser condenado por ter seguido meu caminho.'
'Temos um preço a pagar pelo que fazemos'
'Eu desafio deus a aparecer, se é que ele ou você realmente existem' - Dizia tranquilamente Tom enquanto encarava o homem de olhos vermelhos sem nenhum medo - 'Ou estou sonhando, ou posso escolher o que quiser'
'como assim?' Disse o homem da jaqueta enquanto um novo personagem aparecia, estavam na mansão de Tom, e nesse momento, ele passava pela escada, O homem que vendeu o mundo.
'Ninguem me desafia, jovem' Disse o intruso.
'Eu desafiei, não desafiei?'
'Mais uma discussão estúpida' O olhos vermelhos sentou-se então em uma poltrona de couro atrás de si.
'Por que me desafiou? Pedindo ajuda nos momentos finais?' Disse o 'todo-poderoso'
'Não, na verdade queria apenas saber se você existe mesmo, mesmo que isso possa nao passar de um sonho.' - Olhava Tom despreocupado para deus e o diabo - 'Mas por via das dúvidas considero que estou na vida real... Por que você deixa esse cara aí fazer o que quer? não tem poderes suficientes para detê-lo? Não quer dete-lo? Quem se omite perante o crime tembem tem culpa...'
'Como ousa?...'Deus levantava o dedo em riste com um olhar fulminante.
'Pensei que deus não tivesse alterações comportamentais! humano, demasiado humano...' - Continuava tranquilo.
'Quando encarno tenho qualidades humanas, horas!' - Olhava deus, perdido, para aquele humano insolente.
'Mas não é o todo poderoso?'
'Na verdade, não' - Respondia o demonio tirando seus óculos espelhados - 'VOCÊ é o todo poderoso'
'Podia não ter contado pra ele, idiota' - respondia deus nervoso.
'Isso eu já suspeitava, porque então vem cobrar uma dívida comigo, oh reles ser da minha imaginação?'
'Por que sua consciencia lhe cobraria algo?'
'Como posso ser cobrado se não tenho consciencia?'
'Não?!?!?!' - Responderam em uníssono os dois entes mágicos e sumiram.

Tom continuou então a arrumar suas coisas para a turnê na europa, desde que tinha descoberto ser esquizofrenico há cinco anos atrás sua vida tinha mudado bastante, no inicio ainda se assustava, mas tinha aprendido a lidar com as situações inusitadas. Ficou tentando se lembrar de quando garoto, esperando embaixo de um outdoor com uma guitarra na mao, o quanto deve ter parecido tolo...
Depois que acabou de arrumar suas coisas, deitou-se, com o violão escorado na barriga, e começou a fazer pequenas rimas sobre idéias...