A pena caia, mais lenta que a lágrima em seus olhos. Tudo por culpa do atrito com o ar, se não o fosse, cairiam juntas. A pena era do seu melhor amigo, e era pena dele também.
Já sabia que pássaros não viviam muito, mas seu canário não viveu nem seis meses. Ele o capturara durante uma ida à fazenda, e desde então seu quarto era iluminado pelo canto de Trovador.
Inácio, que antes era seu melhor amigo, criticou a atitude egoísta de tirar a liberdade do bichinho.
- Você tá é com ciúmes! Pensa que eu não sei!?
Afastaram-se então os dois depois da discussão. E agora que Trovador tinha morrido, Leo olhava para a gaiola vazia com os olhos encharcados. Morreu a pouco, devagarzinho, foi batendo asa até o chão da gaiola, depois tombou de lado. Batia só uma asa, fazia um barulho estranho.
As penas agora no chão do quarto. Iria fazer um enterro digno!
Pegou as sandálias, a pázinha e desceu as escadas lentamente.
Do batente da escada, olhou para baixo e viu a árvore de natal iluminada cheia de presentes. Ao se lembrar de que data era, deixou cair tudo que tinha na mão e correu para abrir os presentes.
Não acreditava no que estava vendo: ele acabara de ganhar uma bicicleta!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Primeiro conto de Natal
Coçou o queixo enquanto pensava em sua próxima jogada, o tabuleiro que ganhara de natal ainda conservava o cheiro de novo, e também ansiava por andar na bicicleta nova, jogar futebol e mergulhar com o snorkel recém comprado. Tudo seria um pouco melhor se tivesse alguém pra brincar.
- Mãe! Por que papai Noel não me trouxe também um amigo?
A mãe terminou de se arrumar e passou rapidamente por ele e desceu as escadas.
Desistiu de jogar xadrez contra si mesmo, até porque também não sabia os movimentos.
Pegou sua bola de futebol e foi brincar no campinho atrás da casa, era lá que o pai jogava futebol com seus amigos quando ainda era vivo. Lembrou-se com carinho daqueles momentos e de como sua mãe tinha mudado após o infarto do marido. Ela, que já era uma trabalhadora e independente mulher americana, se viu desamparada emocionalmente, passou por várias crises até se estabilizar em um estado de ausência completa de sentimentos.
Entediou-se de chutar a bola e ter que correr para pegar a todo momento. Sentou perto da trave e começou a chorar. Chorou até que ouviu uns passos e, quando olhou, viu um menino que devia ter uns onze ou doze anos, era mais velho, veio confiante e lhe entregou a bola, depois correu pro gol.
Jogaram até cansar.
Suados, lancharam e foram tomar banho de piscina, mesmo com apenas um aparelho de mergulho, revezavam-no na brincadeira.
O Pedro era demais, ele já sabia fazer contas de divisão, subir em árvore e não tinha medo do escuro. Mais tarde foram para o quarto e lá ele o ensinou a jogar xadrez.
- Pedro, é verdade que não dá pra contar até o infinito?
Sua mãe, que ele não tinha visto entrar, arrumava freneticamente a bagunça das brincadeiras.
- Larga de ser idiota, Túlio! Quem é Pedro?
- Mãe! Por que papai Noel não me trouxe também um amigo?
A mãe terminou de se arrumar e passou rapidamente por ele e desceu as escadas.
Desistiu de jogar xadrez contra si mesmo, até porque também não sabia os movimentos.
Pegou sua bola de futebol e foi brincar no campinho atrás da casa, era lá que o pai jogava futebol com seus amigos quando ainda era vivo. Lembrou-se com carinho daqueles momentos e de como sua mãe tinha mudado após o infarto do marido. Ela, que já era uma trabalhadora e independente mulher americana, se viu desamparada emocionalmente, passou por várias crises até se estabilizar em um estado de ausência completa de sentimentos.
Entediou-se de chutar a bola e ter que correr para pegar a todo momento. Sentou perto da trave e começou a chorar. Chorou até que ouviu uns passos e, quando olhou, viu um menino que devia ter uns onze ou doze anos, era mais velho, veio confiante e lhe entregou a bola, depois correu pro gol.
Jogaram até cansar.
Suados, lancharam e foram tomar banho de piscina, mesmo com apenas um aparelho de mergulho, revezavam-no na brincadeira.
O Pedro era demais, ele já sabia fazer contas de divisão, subir em árvore e não tinha medo do escuro. Mais tarde foram para o quarto e lá ele o ensinou a jogar xadrez.
- Pedro, é verdade que não dá pra contar até o infinito?
Sua mãe, que ele não tinha visto entrar, arrumava freneticamente a bagunça das brincadeiras.
- Larga de ser idiota, Túlio! Quem é Pedro?
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Dias esquecidos
O que eu tenho duvidado, o que eu tenho pensado nesses ultimos dias é sobre o real sentimento. Sobre a realidade, estranha realidade que me surpreende cada dia mais. Eu penso em dias passados que me remetia alguns sentimentos estranhos, não sei se bons ou ruins, apenas... sentimentos. Tenho os esquecido com relativa facilidade, mas essa noite eu sonhei com algo, e de uma maneira incrível, eu senti novamente coisas que fazia muito eu não sentia, não sei se pelo sentimento ou pela falta de costume, eu me senti mal, incomodado.
Sentimento que me remeteu à pensamentos, como o quanto a gente muda em tão pouco tempo, como a gente deixa de ser quem era com tanta facilidade, uns ainda mais que outros. Como quem muda de ideia muito rapido, e no meio desse texto minha vontade já é de escrever sobre outra coisa, as ideias vão indo, vão preenchendo a tela e deixando minha cabeça vazia, já se enchendo novamente com outras ideias que nada tem a ver com as anteriores. Como serei daqui algum tempo? Me responda daí, Lucas do futuro, com que eu me pareço? Em um ano eu escrevo outro texto, pra completar esse aqui, e lembrarei de dias confusos que talvez ainda eu nao tenha-os deixado, mas lembrarei desses, dessas dúvidas de hoje, lembrarei desse reggae e dessa dor de cabeça filha-duma-pu** que não me deixa nem a pau, lembrarei desse monte de trabalhos que eu tenho pra fazer, coisas pra estudar, e uma preguiça proporcional.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
My G-g-g-g-ge-neration
Minha geração é essa coisa tosca, disforme e com informação demais para se unir em torno de alguma coisa. Nenhum de nós se esforça para ser lembrado de nenhuma forma, apenas continuamos seguindo o fluxo e nos adaptando a tudo que está ao nosso redor. Nada de revoltas, de gritos noturnos e de música barulhenta depois da meia-noite. Não posso tocar meu violão na rua mais tarde, incomoda os vizinhos. Eu toco.
Nada que os faça ser pelo que são, e sim pelo que podem ser. Pelo que ouvem dá pra entender o que buscam.
Toda a geração, não faz nada pelo medo de errar, e não erra mesmo. O problema é esse, estamos tensos, com medo, e quando saímos da linha é com excesso de adrenalina, quase uma overdose natural. Essa minha geração que não olha pro próximo nem pra procurar briga e estou ficando entediado...
Cadê os loucos? Ficaram apenas os depressivos. Cadê os compositores? Ficaram apenas os músicos. E para onde foram os revoltados? Me deixaram aqui com todos esses conformados... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton...
Somos apenas mercenários, todos vendidos para a atitude moderna.
Nada que os faça ser pelo que são, e sim pelo que podem ser. Pelo que ouvem dá pra entender o que buscam.
Toda a geração, não faz nada pelo medo de errar, e não erra mesmo. O problema é esse, estamos tensos, com medo, e quando saímos da linha é com excesso de adrenalina, quase uma overdose natural. Essa minha geração que não olha pro próximo nem pra procurar briga e estou ficando entediado...
Cadê os loucos? Ficaram apenas os depressivos. Cadê os compositores? Ficaram apenas os músicos. E para onde foram os revoltados? Me deixaram aqui com todos esses conformados... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton... Somos apenas o plancton...
Somos apenas mercenários, todos vendidos para a atitude moderna.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Portas invisíveis
O vento bate contra as paredes do castelo. Eu ouço o gemido lamentoso e musical do Ultimo Romântico na torre norte. O vento sopra sua música sofrida até meus ouvidos que, insensíveis, apenas a contemplam como arte que é.
Descrevo um arco com a lâmina da espada. Ela é muito leve, e amolada o suficiente para decepar uma cabeça. Sua lâmina reflete meus olhos negros e secos, fixos em algum ponto que nem eu mesmo sei descrever. Lá fora neva mas mesmo assim eu saio para um passeio. A brisa cortante continua a me trazer versos e poesias melancólicas. Eu sorrio. Ele diria ser um riso doente, mas eu enquadro aquela expressão facial como meu sorriso mesmo, gesto cotidiano e simples.
No bosque nos fundos do castelo eu começo a pegar lenha, alguma lenha seca que eu possa acender. É muito difícil, visto que a neve umedece-as. Volto para dentro quase sem nada nas mãos, mas o suficiente para por fogo na lareira e aquecer-me. O vinho está delicioso e tenho uma garrafa cheia do meu lado. Alguém bate à porta e eu me recuso a estragar tal momento sublime com a companhia de qualquer pessoa. As batidas na porta e o som das melodias lá encima não me incomodam mais. É tudo tão feliz, tão onírico! Eu me vejo refletido em uma armadura ao lado da lareira. Eu não pareço doente, na verdade eu nunca estive tão bem.
Batidas na porta. Passa pela minha cabeça atender. Não. Eu acabo de me lembrar que me prometi vinte e três minutos atrás que não voltaria atrás nunca mais numa decisão tomada. E a decisão já estava tomada. Subi as escadas com a espada embainhada, e cada degrau aumentava a melodia e meu medo.
Abri a porta: um espelho. Era eu ali dentro que me olhava, a diferença, a unica diferença, é que em vez de uma espada ele tinha em mãos um papel, manchado de sangue e de lágrimas. Fiquei imóvel por algum tempo, olhando para o batente da porta e com medo de esbarrar em o que quer que fosse que estivesse refletindo-me. Atravessei a porta, não esbarrei em nada. Ele apenas olhava para mim com seus olhos lacrimejantes e cheios de não-sei-exatamente-o-que. Joguei a espada para a direita e depois tracei um arco com ela, e a cabeça dele estava no meio da trajetória.
Seu corpo caiu para frente me sujando de sangue, mas o papel não caiu de sua mão. Tirei-o de lá, e li o poema de amor mais apaixonado que já vira.
Descrevo um arco com a lâmina da espada. Ela é muito leve, e amolada o suficiente para decepar uma cabeça. Sua lâmina reflete meus olhos negros e secos, fixos em algum ponto que nem eu mesmo sei descrever. Lá fora neva mas mesmo assim eu saio para um passeio. A brisa cortante continua a me trazer versos e poesias melancólicas. Eu sorrio. Ele diria ser um riso doente, mas eu enquadro aquela expressão facial como meu sorriso mesmo, gesto cotidiano e simples.
No bosque nos fundos do castelo eu começo a pegar lenha, alguma lenha seca que eu possa acender. É muito difícil, visto que a neve umedece-as. Volto para dentro quase sem nada nas mãos, mas o suficiente para por fogo na lareira e aquecer-me. O vinho está delicioso e tenho uma garrafa cheia do meu lado. Alguém bate à porta e eu me recuso a estragar tal momento sublime com a companhia de qualquer pessoa. As batidas na porta e o som das melodias lá encima não me incomodam mais. É tudo tão feliz, tão onírico! Eu me vejo refletido em uma armadura ao lado da lareira. Eu não pareço doente, na verdade eu nunca estive tão bem.
Batidas na porta. Passa pela minha cabeça atender. Não. Eu acabo de me lembrar que me prometi vinte e três minutos atrás que não voltaria atrás nunca mais numa decisão tomada. E a decisão já estava tomada. Subi as escadas com a espada embainhada, e cada degrau aumentava a melodia e meu medo.
Abri a porta: um espelho. Era eu ali dentro que me olhava, a diferença, a unica diferença, é que em vez de uma espada ele tinha em mãos um papel, manchado de sangue e de lágrimas. Fiquei imóvel por algum tempo, olhando para o batente da porta e com medo de esbarrar em o que quer que fosse que estivesse refletindo-me. Atravessei a porta, não esbarrei em nada. Ele apenas olhava para mim com seus olhos lacrimejantes e cheios de não-sei-exatamente-o-que. Joguei a espada para a direita e depois tracei um arco com ela, e a cabeça dele estava no meio da trajetória.
Seu corpo caiu para frente me sujando de sangue, mas o papel não caiu de sua mão. Tirei-o de lá, e li o poema de amor mais apaixonado que já vira.
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